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Vencedores, derrotados e desiludidos: o que as urnas mostraram neste 2º turno

31/10/2016

Por Lilian Venturini.

O 2º turno das eleições de 2016 encerra uma campanha marcada pela ausência de doações empresariais e influenciada pela mais aguda crise política da história recente do país. Na contagem final dos votos, os resultados deste domingo (30) consolidam um cenário de desilusão do eleitor – representada pelo recorde de votos brancos e nulos -, fragmentação partidária e o declínio acentuado do PT.

O processo de impeachment de Dilma Rousseff, a crise econômica e o avanço da Lava Jato sobre as principais lideranças petistas ajudam a explicar o baixo número de prefeitos petistas. De longe, foi o partido mais afetado pela conjuntura nacional. No caminho contrário, saíram-se melhor o PSDB, seu principal adversário. Abaixo, o Nexo traz um resumo da eleição municipal de 2016 em cinco itens centrais:

Mais partidos no comando: fragmentação

As eleições municipais de 2016 registram o pleito com a maior fragmentação partidária já vista. Isso quer dizer que mais partidos elegeram pelo menos um prefeito. Com exceção do PCO e do PSTU, candidatos das demais 33 legendas registradas na Justiça Eleitoral brasileira vão administrar ao menos uma cidade a partir de 2017.

As capitais também registraram esse fenômeno, algumas delas com a vitórias de partidos pequenos. O Rio, por exemplo, primeira vez elegeu um candidato do PRB, o senador Marcelo Crivella. Em Curitiba, venceu Rafael Greca, do PMN, e em Belo Horizonte, Alexandre Kalil, do PHS. Para cientistas políticos, o cenário, já verificado no primeiro turno e consolidado agora, é resultado, entre outros fatores, do desgaste sofrido pelo PT e do excesso de partidos no país.

PSDB mais relevante

Depois de eleger João Doria já no primeiro turno em São Paulo, a maior capital do país, o PSDB obteve vitórias relevantes no 2º turno e sai como um dos principais forças desta disputa, considerando as capitais e outras grandes cidades brasileiras. Na segunda etapa, os tucanos venceram cinco das oito capitais em que estavam concorrendo.

Entre elas está Porto Alegre, onde pela primeira vez um candidato tucano foi eleito. Nelson Marchezan Junior derrotou o atual prefeito Sebastião Melo (PMDB). Entre as capitais perdidas, no entanto, está Belo Horizonte, reduto eleitoral do senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB. João Leite foi derrotado pelo estreante Alexandre Kalil (PHS).

Numericamente, o partido só não terá mais prefeituras do que o PMDB. Entretanto, o PSDB venceu em mais capitais (sete, contra quatro do PMDB) e mais em cidades com eleitorado superior a 200 mil pessoas. Essa característica dá à legenda um número maior de votos, no geral, do que o obtido pelo PMDB. E aumenta a relevância tucana no cenário nacional.

PT fora do ABC e do Nordeste

O partido perdeu nas sete cidades em que disputou o segundo turno. Parte delas localizadas em regiões que marcavam o reduto eleitoral mais fiel da legenda. Com isso, o PT termina as eleições com 256 prefeituras, ante 644 conquistadas em 2012, auge do partido. É o pior resultado desde 2000.

Em Santo André, região do ABC paulista (onde surgiu o PT), o candidato Carlos Grana recebeu apenas 21,7% dos votos válidos. Ele foi derrotado por Paulo Serra (PSDB), que recebeu 78,2% dos votos.

DESEMPENHO PETISTA NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Em Mauá, na Grande São Paulo, a diferença também foi grande. Donisete Braga foi derrotado por Atila Jacomussi (PSB), por 35,3% contra 64,4% dos votos válidos. No Recife, única chance de o PT comandar uma capital no Nordeste, o ex-prefeito João Paulo perdeu para o atual prefeito Geraldo Julio (PSB).

Alta de brancos, nulos e abstenções

O índice de eleitores que deixaram de comparecer às urnas no segundo turno foi de 21,5%, maior do que os 19% registrados em 2012. No 1º turno, o percentual ficou em 19,3%. A soma dos votos brancos e nulos, com resultados ainda parciais, também indica alta: 13,2% dos eleitores optaram por não votar em ninguém, contra 9,6% em 2 de outubro e contra 7,44% registrados em 2012. É o maior índice de votos brancos e nulos desde 2000.

No Rio, esses indicadores chamam ainda mais atenção. Ao todo, 26,8% dos eleitores não compareceram, ante 21,5% em 2012. Brancos e nulos somaram 20%, ante 14% no segundo turno de 2012. Os resultados superam os números do primeiro turno, que também ficaram acima da média nacional.

719.402

eleitores do Rio optaram por não votar em nenhum candidato e teclaram “branco” ou “nulo” no segundo turno

Na avaliação de cientistas políticos, fatores combinados explicam a alta desses números. A alta abstenção, por exemplo, pode causada também por falhas no cadastro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que ainda contabiliza eleitores mortos. No entanto, eles acreditam que a crise política ampliou o descontentamento de parte do eleitor.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, afirmou que é preciso considerar as imprecisões do cadastro eleitoral. Mas ele diz que os índices não devem ser “desprezados” porque também indicam o “distanciamento entre o eleitor e os políticos”.

Rede tem uma capital, PSOL perde chances

Na estreia em eleições municipais, a Rede venceu em uma capital e em outras seis cidades. O partido criado pela ex-ministra Marina Silva venceu em duas das três cidades em que disputou o segundo turno: Macapá (AP) e Serra (ES). A derrota foi em Ponta Grossa (PR).

Em Macapá, Clécio derrotou o adversário do PMDB, Gilvam Borges, com 60,5% dos votos válidos contra 39,5%. O candidato da Rede contou com apoio de partidos como DEM e PSDB.

Já o PSOL termina as eleições sem conquistar nenhuma capital. No segundo turno, o partido concorreu no Rio, com Marcelo Freixo, e em Belém, onde o candidato Edmilson foi derrotado por Zenaldo Coutinho (PSDB).

A terceira cidade em que concorreu foi Sorocaba (SP), onde Raul Marcelo perdeu para Crespo (DEM). Na contagem final, o PSOL elegeu dois prefeitos, em Janduís e Jaçanã, ambas no Rio Grande do Norte.

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